pesani.gif (2651 bytes)

“A tragédia no palco não me basta mais, vou transportá-la para a minha vida”.

Antonin Artaud




 

 

 

 

 

 

 


Antonin Artaud nasceu no dia 4 de setembro de 1896, em Marselha, e morreu em 1948, mas ao que tudo indica já andou por aqui, na Web, muito antes de nós, assim como influenciou toda a contracultura dos anos 60.

O seu trabalho inclui poemas em prosa e verso, roteiros de cinema, diversas peças de teatro, inclusive uma ópera, ensaios sobre cinema, pintura e literatura, notas e manifestos polêmicos sobre teatro, notas sobre projetos não realizados, um monólogo dramático escrito para rádio, ensaios sobre o ritual do peyote entre os índios Tarahumara, aparições como ator em dois grandes filmes e outros menores, e centenas de cartas que são a sua forma mais dramática de expressão. Nunca, em qualquer tempo, um escritor se mutilou tanto escrevendo na primeira pessoa, como em suas cartas.

Profeticamente leu e experimentou na década de 20 tudo aquilo que faria a cabeça da contracultura ocidental na década de 60, como o Livro Tibetano dos Mortos, livros de misticismo, psiquiatria, antropologia, tarô, astrologia, Yoga e acupuntura.

Atormentado, louco, sensível, romântico, era um homem complicado e costumava andar sozinho. Aos 15 anos começou a tomar ópio para aliviar suas terríveis dores de cabeça, depois teve crises de depressão, passou por sanatórios e nunca mais conseguiu se livrar da droga.

Freqüentou os bares de Paris durante a grande festa da geração perdida nos anos 20 e 30, mas não badalava, costumava se sentar no balcão só. Sentia-se feliz em seu mundo de alucinações.

Escritor, ator, dramaturgo, poeta maldito e visionário, nos anos 30 concebeu um teatro onde não haveria nenhuma distância entre ator e platéia, todo seriam atores e todos fariam parte do processo, ao mesmo tempo.

Queria devolver ao teatro a mágica e o poder do contágio. Queria que as pessoas despertassem para o fervor, para o êxtase. Sem diálogo, sem análise. O contágio estabelecido pelo estado de êxtase. Uma vez abolido o palco, o ritual ocuparia o centro da platéia.

Esse era o Teatro da Crueldade de Artaud, que tem um pouco a ver com uma concepção romântica da Web dos primeiros dias, da eliminação das distâncias e da democratização da informação.

(Naquele tempo pré-software os artistas era os visionários e intelectuais da época. Hoje eles foram substituídos por cientistas, biólogos, historiadores - o que me parece até razoável num tempo em que o software, biogenética, inteligência artificial, ciência cognitiva, etc., passam a ocupar um espaço tão grande).

Artaud foi encontrado morto em 4 de março de 1948, em seu quarto do hospício de Ivry, bairro de Paris. Estava aos pés da cama com um sapato na mão.

Depois da morte passou a ser festejado como o homem que fez explodir os limites da vanguarda ocidental e até hoje ninguém o superou em seus conceitos e em sua loucura. A mesma violência agressiva que o prejudicou e o afastou de seu tempo produziu o sucesso póstumo de suas idéias e sua atual influência no teatro contemporâneo.

Porque será que alguém tão louco e tão distante de seu tempo, conseguiu influenciar toda a criação artística, filosófica e intelectual deste século e ainda hoje é um dos maiores referenciais para a atividade criadora ?

Possivelmente porque da complexidade de seu trabalho e de sua vida não restaram apenas obras de arte, mas uma presença singular, uma poética social, uma estética do pensamento, uma teologia da cultura, uma fenomenologia do sofrimento e principalmente um grande desconforto no pensamento contemporâneo.

Em São Paulo, durante o evento “Artaud Cem Anos”, serão transmitidas pela rádio USP gravações originais de rádio feitas por Artaud, entre outras atividades previstas. Para saber mais sobre esse evento, leia o artigo "Autor é homenageado", do caderno mais! da Folha de São Paulo de 01/09/96.


Alex Nabuco,
25 de agosto de 1996.



NOTA: O artigo acima foi atualizado em 1/9/96 com links referentes a matérias publicadas no caderno mais do jornal Folha de São Paulo da mesma data.

 


hpage50.gif (2579 bytes)


ARTIGOS ANTERIORES

Cem Anos de Cinema (22/12/95)

The Net, O Filme (31/10/95)

Beats, Hippies & Rock'n'Roll (25/08/95)

Ficção Interativa & Hipertexto (25/08/95)

 

hpage.gif (6864 bytes)

 

Arte | Comportamento | Negócios | Ciência & Tecnologia | Poesia & Prosa |
Passage 2000 | Surf Sites | Busca | Entrevistas | Bits About


Copyright © 1995-1997 by Grupo Quattro Digital Media
Editor: The Passenger
Design: By Grupo Quattro Digital Media
Comentários, colaborações, críticas, sugestões de links, devem
ser enviados ao e-mail passenger@quattro.com.br, subject Passage.