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Com a explosão da Web na metade da última década do milênio, fomos obrigados a nos desfragmentar, sem preconceitos, para uma nova leitura da arte, do entretenimento e da informação, que começavam a ser concebidos nas oficinas binárias daquele nosso tempo de anjos e de loucos.

As narrativas baseadas em hipertexto começaram muito cedo a se esparramar pela rede com possibilidades de criação que deixariam Kafka perplexo, Proust com inveja e Joyce sem saber o que fazer com tudo aquilo que lhe era oferecido.  

Uma nova sintaxe louca e planetária passou a viajar em direção oposta à sintaxe analógica e rompeu com as estruturas da leitura convencional - as pessoas tiverem que começar a raciocinar de forma mais abstrata, se adaptar ao zapping entre links e a trafegar com desembaraço dentro de conteúdos sem começo, meio e fim. Espaço e tempo foram explodidos e toda aquela estrutura linear assimilada durante séculos se perdeu logo nos primeiros anos de Web.

Os autores perderam definitivamente o controle sob a obra, pois na viagem através dos links oferecidos, seus leitores acabavam chegando a outros mundos, às vezes muito maior do que o imaginado por eles próprios.

Foi o começo da grande crise no mercado internacional do livro impresso. Apesar do crescimento e proliferação de novos títulos, apenas entre 1995 e 1997 já se registrava uma queda de 10 a 15% nas vendas, em contraste com o crescimento do entretenimento e da informação ofertada pela mídia eletrônica.

Aquela arte palpável, sensível ao toque, que começou um dia a ser um dia riscada nas paredes das cavernas e se consolidado através dos séculos que nos precederam, parecia estar chegando ao fim. Tínhamos que nos adaptar a uma nova arte volátil, efêmera, exposta em um pedaço de vidro, que só existia no estado de ligado-desligado. Que porrada !

Conforme disse o Passenger, em um de seus primitivos artigos sobre arte na rede, "com uma idéia na cabeça, HTML em seu micro e um endereço no cyberespaço, você talvez não vá reinventar o cinema novo, mas pode interferir na literatura do século vinte-e-um, em grande estilo".

Às vezes precisamos mesmo nos projetar no futuro e olhar para o passado para saber o que efetivamente está acontecendo no presente. Por isso eu também escrevo de Porto Piano, em uma tarde ensolarada de junho de 2016. O por-de-sol continua mágico e misterioso como nunca.



Joana F. Marasco
Porto Piano, junho de 2016


 

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