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Houve um tempo, mais ou menos na metade da última década do milênio passado - em que algumas pessoas afirmavam estar acontecendo uma revolução irreversível e sem precedentes na história da humanidade. Uns acreditavam - os conectados. Outros não - os sem micro - que sequer sabiam do que se tratava.

Os Cyber Cafés começaram a se espalhar pelo mundo e foram a primeira manifestação social dos primatas digitais, imersos no novo estado binário da matéria. Quase na virada do século a forte atração pelos bits fez com que as pessoas voltassem a se reunir em Cafés para encontrar os amigos, ler as últimas notícias, discutir os acontecimentos do dia e - quem diria - ler e responder a própria correspondência.

Havia em curso, naqueles dias, uma revolução virtual dos conectados que os sem modem não enxergavam. Eles não viviam o sonho digital dos plugados, não enxergam o teclado e o mouse como uma extensão de suas vidas e não compartilhavam das sociedades virtuais em formação.

Mas em poucos anos tudo acabou convergindo para a rede e todos caindo de quattro diante do furacão Web, que até hoje não atingiu um formato muito bem definido, mas continua a assolar o planeta de uma forma jamais registrada na história.

Foi como se de repente surgisse uma convocação e as pessoas passassem a participar de uma experiência fascinante que mudaria o rumo da história. Todos foram requisitados para mostrar a cara naquele final de milênio, a cravar a sua bandeira no ciberespaço e o medo de perder o bonde acelerou o processo.

Mesmo assim a vertigem de viver aquele fim de milênio não foi tão gratuita quanto parecia às elites digitais. Se por um lado eles estavam testemunhando o grande salto quântico da espécie humana, por outro viviam a perplexidade de terem de se descartar de tudo quanto haviam aprendido nos últimos cem anos.

Era como se estivessem todos desembarcando em um mundo novo, como crianças pisando em terra estrangeira, sem conhecer a língua, os códigos, os valores, e muito menos quem estava no controle daquela nova sociedade.

Mas eles atravessaram, perplexos e assustados, a curta e estreita estrada digital que foi atirada à sua frente. Por ela caminharam com os bolsos carregados de bits e as mãos cheias de novas promessas. Sá o que eles ainda não sabiam é que Deus havia realmente jogado os dados quando criou o universo.

E muito menos sabiam, naqueles dias, que estavam participando de uma experiência feita pelo próprio homem e que iria mudar o rumo da história. Não tinham a menor noção de que não estavam apenas acrescentando alguns megabytes de fama às suas vidas - além dos 15 a que já tinham direito por decreto - mas que futuramente os seus descendentes teriam também as suas memórias e pensamentos funcionando como as memórias de seus computadores, em estado de ligado-desligado, feita de zeros e uns.

Alex D. Nabuco
Abril de 2016, Porto Piano, uma manhã coberta de neblina.

 


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