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A vertigem de viver este fim de milênio não é tão gratuita quanto parece às elites digitais. Se por um lado temos o privilégio de testemunhar o grande salto quântico da espécie humana e participarmos do parir de uma nova renascença, por outro vivemos a perplexidade de termos de nos descartar de tudo quanto aprendemos nos últimos cem anos. É como se estivéssemos desembarcando agora em um mundo novo, como se fôssemos crianças pisando em terra estrangeira, sem conhecer a língua, os códigos, os valores e muito menos quem está no controle dessa nova sociedade. Somos invadidos diariamente por gigantescas massas de informações para que possamos nos adaptar a esse novo mundo wired, mas a nossa capacidade de processamento e armazenamento continuam as mesmas e somos obrigados a nos descartar da maioria delas - continuamos desinformados por excesso de informação. Nos debatemos, nos estressamos, às vezes descontamos em nossos filhos (que se ajustam melhor a tudo isto), perdemos os nossos empregos, tentamos racionalizar mas geralmente acabamos reagindo de forma errada e meio desesperada à essa nova realidade que começa a se esculpir como virtual. O presente hoje é feito de uma realidade curta no tempo, de um estado de coisas que dura apenas o tempo necessário para que seja preparado o próximo release. O presente, o tempo, a realidade, tudo parece nos escapar. Os milhares de megas dos CD-ROM´s, as centenas de canais da TV a cabo e a Internet, reforçados pelos quase obsoletos jornais e revistas, formam esse cardápio de bits que nos tira a sustentação e faz desaparecer o nosso chão, ao invés de nos dar a segurança necessária, como se acreditava antes. Parece que quanto maior o número de cores, de imagens, de movimento, de informação, mais perdidos nos sentimos. A disponibilidade da informação não teve o efeito social que se esperava. O excesso de conteúdo novo acaba por nos desinformar e nos impedir de enxergar a realidade neste tempo de contínua e diária desconstrução. Nos desatualizamos diariamente. Estamos diante de uma complexidade que não conseguimos resolver, as coisas fugiram de nosso controle e não tem ninguém no comando. Não resta dúvida de que este é um tempo perigoso, assustador - você pode até não sobreviver. Mas com certeza é também uma das melhores épocas da história da humanidade para se estar vivo. É fascinante a forma como o homem procura se ajustar desesperadamente ao bombardeio da mídia. Vale a pena participar deste apocalípse. Quem tiver mais fitness, maior capacidade de se adaptar, de filtrar, sobreviverá e contará a história dos últimos anos deste século. Para isso você precisa apenas ter a capacidade de se refazer a cada dia e aprender a caminhar determinadamente, todas as manhãs, na direção do imprevisível.
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