Diretórios (Directories) e Ferramentas de Busca (Search
Engines), ou principalmente a combinação dos dois, são a única maneira eficiente
de se encontrar informações na Internet. A não ser que você já tenha o URL desejado,
o que na maioria das vezes é pouco provável.
Alguns diretórios como o Lycos, o InfoSeek, o Yahoo, o WebCrawler e outros procuram
cumprir essa missão de forma profissional e merecem o nosso reconhecimento, mas ainda
estão longes da eficácia.
No Brasil, pela menor experiência de uso, os resultados são mais precários ainda.
Para iniciar uma reflexão sobre essa área, entrevistamos Alexandre Campiotti Pajola,
que concebeu, planejou e implantou o Brazilian Business Connection, um diretório
especializado em business, hoje com cerca de 10.000 acessos mensais em todas as suas
páginas, 30% deles provenientes do exterior.
Passage: Qual a sua opinião sobre os diretórios estrangeiros de
peso, como o Yahoo, Lycos, InfoSeek?
Alexandre: Estes diretórios ou catálogos estão entre os sites mais visitados da WWW.
Mas nem sempre você consegue realmente achar neles a informação procurada. Hoje,
somente depois de algum tempo de exaustiva pesquisa você consegue encontrar o que deseja.
E muitas vezes a informação que você busca não vai estar diretamente no diretório,
mas sim em outro site, ou catálogo, que você acessou através dos diretórios acima.
Passage: Como deveria ser para que esses diretórios funcionassem
melhor ?
Alexandre: No meu ponto de vista precisariam ser criados, cada vez mais, diretórios
específicos para determinados assuntos, ou regiões. E que existissem também diretórios
mais abrangentes, planetários, que listariam somente diretórios específicos, com uma
estrutura parecida com a do Yahoo, por exemplo.
Passage: Explique melhor isso.
Alexandre: Imagine que um americano está planejando uma viagem ao Rio de Janeiro e
queira saber, via Internet, os hotéis disponíveis na cidade. Ele tem neste caso dois
caminhos para seguir. Um deles é procurar no Yahoo, por exemplo, o segmento de hotéis, e
depois procurar algum hotel que esteja no Rio de Janeiro. A pesquisa é exaustiva, pois
ele estará pesquisando em uma imensa lista de hotéis disponíveis no mundo todo. Um
caminho mais curto seria acessar, no próprio Yahoo, a cidade do Rio de Janeiro e depois o
segmento de hotéis.
Suponha que ele encontre, por um dos dois caminhos acima, uma área dentro do Yahoo,
específica de hotéis no Rio de Janeiro. Ótimo? Não, provavelmente esta area não
estará totalmente atualizada, e ele não encontrará na listagem, por exemplo, quantas
estrelas tem o hotel.
O mais recomendado seria que existisse um diretório sobre hotéis no Rio de Janeiro, e
ele (Yahoo) simplesmente fizesse um link para esse diretório. Hoje já existe, por
exemplo, um site da Embratur, que ainda não é um diretório, mas acredito que com a
presença de home pages de hotéis, ele acabe se tornando. Isto pouparia trabalho ao
pessoal do Yahoo, que não precisaria atender todos os pedidos de link de hotéis do Rio
de Janeiro (o que não faria de maneira eficiente), e facilitaria a vida de quem está
procurando, que terá informações muito mais detalhadas oferecidas por pessoas que são
do ramo.
Passage: Que outros problemas você encontra nestes diretórios?
Alexandre: Quando você utiliza as ferramentas de busca de qualquer um deles e escreve,
vamos supor, 2001, (procurando o filme), irá encontrar infinidades de locais onde aparece
2001, e provavelmente o filme estará na centésima home page. Mas se você procurar em um
diretório de cinema, facilmente encontrará o filme do Stanley Kubrick. O que eu proponho
é que existam diretórios genéricos e abrangentes que listem somente outros diretórios
e que estes sim possam fornecer um serviço específico de links, de forma eficaz e
rápida, para determinado assunto.
A propósito do Yahoo, nos últimos três meses eu pedi mais de 4 vezes link para o
B.B.C. e até agora nada.
Passage: Quando você criou o Brazilian Business Connection,
você usou estes conceitos?
Alexandre: Quando elaborei o Brazilian Business Connection, em junho de 95, já tinha
uma vaga idéia do assunto. Procurei criar um diretório de business listando as home
pages brasileiras de empresas, catalogando-as por ramo de atividades, produtos e
serviços. Eu conhecia somente a listagem dos usuários do InfoServ da Embratel, e já
achava que o B.B.C. deveria ser flexível, para poder ter novas áreas para facilitar a
indexação de determinado site, e consequentemente sua localização.
Passage: E os outros diretórios brasileiros?
Alexandre: Junto com o B.B.C. apareceram na Embratel o Webra e o Brazilis,
que eram mais abrangentes e com menos segmentos que o B.B.C. Depois veio o catálogo da on-line
e o .br, e mais recentemente o Cadê. Estes foram os que eu mais visitei, e
não sei a ordem cronológica exata em que eles apareceram.
Passage: E a listagem que a Embratel tinha? Era boa ?
Alexandre: Quando eu comecei a acessá-la em junho de 95 havia apenas uma lista dos
usuários da Infoserv, sem nenhum tipo de divisão. Logo que estes diretórios apareceram,
ela sabiamente os listou separadamente e pôde assim oferecer através de suas páginas
serviços que são de suma importância para a Internet brasileira, sem ter que se
preocupar em ficar catalogando as home-pages por segmento.
Passage: Qual será o futuro dos catálogos brasileiros?
Alexandre: A Internet, aqui no Brasil, está apenas engatinhando e quando ocorrer o
verdadeiro boom de home pages, não sei se vai ficar fácil encontrar a informação que
se deseja.
Os catálogos existentes hoje no Brasil são muito parecidos. O B.B.C., que
provavelmente hoje tem o menor número de links, está procurando diferenciar-se tendo
suas áreas por ramos de atividades de empresas. Os outros me parecem crescer em
quantidade de links, não se preocupando com a facilidade de localização. Hoje ainda é
possível encontrar uma editora, por exemplo, nesses catálogos, mas daqui há alguns
meses vai ficar complicado.
Passage: Qual destes outros catálogos brasileiros você acha
mais interessante ?
Alexandre: O Cadê apresenta uma estrutura intessante, muito parecida com a do
Yahoo, com categorias e sub-categorias. Mas se continuar crescendo irá acontecer algo
parecido com o já comentado a respeito do próprio Yahoo.
Passage: O que você sugere para que a Web brasileira não seja
tão complicada, a nível de acesso à informação, daqui há alguns meses ?
Alexandre: A minha proposta é que os interessados em prover esse tipo de informações
façam catálogos específicos, por setor ou segmento de mercado. Vamos pegar a área de
revenda de automóveis, por exemplo, que hoje não tem nenhuma home page brasileira. Se
for feito um bom catálogo especializado nesse segmento, com certeza o seu autor irá
conseguir patrocínio das empresas relacionadas com essa área específica, principalmente
por estar dirigido para o público alvo interessado em comprar carros.
Se este diretório estiver realmente bom, com atualizacões mais rápidas e
informações melhores do que as que eu tenho no B.B.C., farei um link explicando o
serviço e incentivando os meus usuários a acessá-lo. E naturalmente as empresas desta
área deixarão de pedir links para o B.B.C. e se utilizarão desse outro serviço que
poderá se chamar, por exemplo, "Revendas de Automóveis".
Passage: Você não estaria perdendo então frequência no seu
diretório ?
Alexandre: Por um lado sim. Quem conhecer esse novo site provavelmente só irá buscar
nele as novidades da área. Mas o Grupo Quattro poderá também se especializar nesta ou
em outra área, que irá operar separadamente do B.B.C., provavelmente com outro nome. Por
outro lado, se uma pessoa quiser procurar por esta informação, não conhecendo o novo
site, começará pelo B.B.C.
Passage: Qual a dica para quem quer começar a montar um
diretório ?
Alexandre: Recomendo que os seus autores recolham dados exaustivos sobre um determinado
assunto, montem os diretórios desses assunto específico, e peçam links para que
diretórios mais abrangentes listem o seu diretório.
Passage: Então devem existir diretórios abrangentes, como você
chama, e diretórios específicos ? Os dois são importantes, não ?
Alexandre: Sim, devem existir os dois. O problema é que os genéricos e abrangentes
já existem em quantidade suficiente, tanto fora como dentro do Brasil. E eles não tem
possibilidades de fazerem links somente para diretórios específicos, que em ultima
instância é onde estaria a informação final. Existiria assim os genéricos, na forma
em que já existem hoje, e os genéricos que só listem diretórios específicos.
Passage: O que você espera dos diretórios brasileiros já
existentes ?
Alexandre: Eu gostaria que eles não procurassem abraçar o mundo, digo, o Brasil, sem
ter uma estrutura que no futuro viabilize o seu uso. Deve haver uma cooperação geral e
não uma competição para ver qual é o maior. Não deve haver algum tipo de medo de
destruir tudo o que já foi feito e começar de novo, aproveitando que ainda estamos no
começo da Internet no Brasil.
Passage: Você faria isto no B.B.C.?
Alexandre: Já fiz algo parecido, criando áreas que não estavam (e eu nem imaginava)
no projeto original e eliminei outras por serem redundantes. O B.B.C. procurará sempre
ser dinâmico, crescendo, aumentando número de segmentos, agrupando segmentos, criando
sub-divisões, etc.
Passage: O que você planeja para o B.B.C.?
Alexandre: O B.B.C. deve também buscar se aprimorar, colocando novos links para
diretórios especializados, como para as páginas da Embratur, por exemplo, na área de
Hotéis, que ainda nem existe. Isto tudo está em andamento. E contando sempre com dicas
de pessoas como o João Carlos Santiago Filho, que sugeriu colocar o Estado (localização
geográfica) de cada Provedor de Acesso. Foi uma dica que parece óbvia, mas como disse
Nélson Rodrigues, só os gênios enxergam o óbvio.
Passage: Se você acredita na importância desses conceitos,
porque você está dando essas dicas para a concorrência ?
Alexandre: Existe muito espaço para todos e, além disso, o acesso rápido e objetivo
à informação é fundamental na rede. Sem isso perdemos todos. Aposto que muitos deles
já enxergaram isto e até já tem os seus planos de sobrevivência. Espero que todos, no
geral, melhorem, para que eu e outros webmasters de diretórios possam acompanhar esas
mudanças e aproveitar as novidades para utilizar em nossos produtos. E que principalmente
o cibernauta brasileiro, que hoje, segundo o Luiz Augusto Siqueira (Internet World
brasileira de setembro) são cibercobaias, e pessoas estrangeiras, possam sempre, pelos
menos aqui no Brasil, encontrar com facilidade a informação que buscam.
Passage: Uma última pergunta. Faltou você falar algo sobre
ferramentas de busca. Porque nenhum dos diretórios brasileiros, inclusive o seu, possue
ferramenta de busca ?
Alexandre: Devido a quantidade de sites ainda não ser muito grande - cerca de 500 -
pode-se conviver hoje sem a ferramenta. Mas se falarmos em seis meses à frente, ficará
impossivel se achar informações sem busca por palavra chave. Quanto às que existem hoje
no exterior, não são totalmente eficientes, conforme já exposto.
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