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Passagem para a Era Digital



Em outubro de 96 o Fernando Villela e o Passenger se encontraram na rede.

O Fernando, editor da Revista Internet BR, falava de avatares - seres já libertos da roda das encarnações e que retornam ao mundo apenas para acelerar a evolução da raça humana. O Passenger, que só falava de bits sem alma ficou muito intrigado. E mais ainda com o bochicho de que o próximo avatar encarnaria aqui no Brasil, na forma de uma consciência crítica, por volta de 2005. Uau.

O encontro acabou resultando em uma entrevista que saiu publicada na Revista Internet BR de janeiro de 1997.


1) Quando surgiu e qual o objetivo da Passage?

A idéia da Passage surgiu há pouco menos de dois anos atrás, quando bits sem raça, religião ou nacionalidade começaram a trafegar pelos nós (nodes) da rede, deflagrando uma revolução sem precedentes na historia da humanidade.

Seu editor e colaboradores fazem parte de um grupo de pessoas que acreditam estar vivendo no epicentro dessa revolução, no ponto crítico da transição entre a era industrial e a era digital, imersos dentro de uma sociedade em processo permanente de descontinuação.

Os historiadores do próximo século verão estes anos de 95, 96 e 97 como o momento crítico - os anos em que as transformações efetivamente aconteceram - de uma revolução que teve início no começo da década de 80 e que terminará, quem sabe, lá pelo fim da segunda década do terceiro milênio.

Decidimos que valia a pena registrar isso em uma revista online, no Brasil.

2) O que representa o "Passenger"?

O Passenger é a grande metáfora do intelectual perplexo diante dessa sociedade em processo permanente de descontinuação, é um sujeito que não quer apenas contemplar as transformações, ele quer participar, interferir. Por isso criou uma revista online chamada Passage e um livro de ficção interativa chamado Tristessa, que gira ao redor da vida, experimentação e amores de alguns amigos com o qual ele convive em seus delírios.

Ele sabe que uma nova sociedade está sendo formada e que se as pessoas se mantiverem alheias a tudo isso, o futuro não terá a cara delas, aumentará mais ainda a distância entre elas e seus filhos, e assim por diante.

3) Pra que serve Passage 2000?

Os números que marcam as décadas são sedutores, os que marcam os séculos são misteriosos e os que marcam os milênios são mágicos.

Por isso o Passenger decidiu inventar a metáfora da pedra binária deste novo tempo, para que todos os leitores da Passage possam deixar lá riscada a sua mensagem.

Essa mensagem deve conter as expectativas, visões, idéias, previsões, enfim, qualquer coisa que os leitores gostariam de ver estampado nos jornais, nas esquinas do planeta, na passagem do ano de 1999 para o ano de 2000.

4) O que é Tristessa?

Tristessa é uma obra de ficção interativa estruturada em 3 atos lineares (Corpo, Fragmento e Todo) e 5 planos aleatórios (Vida, Vultos, Ensaio, Matéria e Insight). Dentre desses atos e planos o leitor interage com a historia e personagens, na sequência em que bem entender.

É como se fosse uma peça de teatro em 3 atos, acontecendo em diversos planos (presente, lembranças, fantasias, sonhos, reflexões...). Os diferentes caminhos escolhidos pelo leitor vai conduzir a diferentes interpretações do mesmo fim.

A mistura do passado e do presente, ficção e realidade, hipertexto e interatividade, reforçados pela poderosa conectividade planetária do hipertexto é que criarão o mistério da narrativa.

A organização do tempo é um pouco complicada na obra. O narrador da historia - o Passenger - está em 2004, contando fatos passados ocorridos em dezembro de 1999. Só que os personagens, quando trocam e-mails, estão hoje em 1996, vivendo o presente. Penso em terminar o livro apenas no ano de 2004, mas não sei se farei isso.

Todos os personagens do livro Tristessa escrevem para a revista Passage, tem endereços e home pages próprios, e recebem (e respondem) hoje muitos e-mails. Principalmente as mulheres.

Conforme dito no prefácio, a entrada para Tristessa é franca para todos que estiverem presos nesta imensa teia de bits. Não é um livro somente para raros e loucos, se bem que um pouco de cada um desses atributos certamente vai ajudar na leitura.

5) A Internet é revolucionária?

Conceitualmente é revolucionária. Meio primitiva, tecnicamente, mas revolucionária.

Se de repente você passa a interagir com a informação e com pessoas, independentemente de plataformas, processadores e parte do mundo em que tudo isso se encontra, a um custo de R$ 25,00 mensais, isso e uma revolução. A Internet acabou se transformando em uma espécie de "sistema operacional" planetário. O acesso e a interatividade planetária é a essencia de sua revolução.

Sociologicamente é apenas o início de uma grande revolução, porque menos de 2% do planeta tem acesso a Internet hoje. No Brasil menos ainda, talvez uns 0,4%, ou menos, ou um pouco mais, mas essas frações não fazem a diferença: é muito pouco.

6) Existe Cibercultura no Brasil?

Existe e não existe. Passage e Tristessa, como tantas outras páginas que já existem na rede são parte de um embrião do que podemos chamar de cibercultura brasileira. Só que cultura, em geral, envolve muito mais do que alguns poucos fazendo arte para outros poucos. Caimos no problema dos 0,4%.

Eu estenderia esse conceito para o resto do planeta. Ainda não existe uma cibercultura planetária, no sentido amplo do termo cultura.

7) Como será o Homem Digital?

É muito difícil prever como o homem vai se comportar nesse novo "environment" digital. Ele vai ter que se descartar de tudo que este século lhe ensinou, e isso já está sendo muito complicado. Esse homem digital por enquanto está perplexo, perdido, mais perdido do que esteve em qualquer ponto da historia. E vai demorar a encontrar novamente o caminho de casa.



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