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Apesar da capacidade de processamento das máquinas atuais e da certeza da revolução prometida, o primitivismo da atual tecnologia da Web ainda não acrescentou quase nada ao que já faziam os paquidérmicos mainframes há muito tempo atrás. É bem verdade que antes tudo aquilo estava disponível apenas para as grandes corporações, que torravam toneladas de dinheiro com as suas redes privativas de dados, mas quase tudo isto já existia naquele tempo dos terminais burros que eles estão querendo reinventar. Alguma evolução aconteceu, não podemos negar. Não continuamos no zero absoluto, mas o que aconteceu é muito pouco. Apesar da falta de perspectiva histórica pelo curto período de Web, já dá até para enxergar algumas fases distintas nesses primeiros dias da história da grande teia. Num primeiro momento a palavra chave foi home page e a prioridade se restringiu ao visual herdado das outras mídias, só que limitado por software e linhas de comunicação. A Internet era vista como uma nova mídia. O conteúdo dessa fase ? Muito pouco. As empresas apenas começavam a corrida para marcar a sua presença na Internet, com medo de perder o bonde, mas a presença na rede era totalmente passiva. Essa foi uma fase que se caracterizou principalmente por não acrescentar nada ao cliente. O design das páginas era o importante. O conteúdo ? Nem tanto. A maioria da informação disponibilizada não tinha qualquer valor, as páginas não acrescentavam nada ao cliente e uma grande massa de informações redundantes apenas consomiam tempo e dinheiro dos internautas. A Web corria o grande risco de ser estigmatizada como a maior máquina de perder tempo e dinheiro do mundo. Em um segundo momento (o qual ainda estamos atravessando) a palavra chave passa a ser site, e a este se começa a agregar conteúdo através da disponibilização de bens e serviços. Com o foco deslocado para o conteúdo, o que diferencia então uma empresa na Internet passa a ser a disponibilização de serviços e informações, e não apenas a presença passiva, o design, o visual. A simples presença na Internet deixa de ser importante nesta fase, o conteúdo é que faz a diferença. Mas tudo isso ainda é muito pouco. Depois de algum tempo, constatada a mediocridade tecnológica do modelo Web e superado o constrangimento inicial, começa a se esboçar na rede um terceiro momento, com processamento mais inteligente, geração de páginas dinâmicas e integradas com os aplicativos internos das empresas através das chamadas Intranets. São os sites transacionais. Começa-se a procurar colocar o cliente definitivamente em contato com a empresa através da rede. A Internet começa a ser enxergada como um quarto canal, depois da venda pessoal, via correio e telefone, nas transações comerciais. Tudo isso, mais marketing e design combinados com novas ferramentas de software e embalados por uma daquelas sopas de letras chamada Internet Computing prometem explodir em uma nova fase que ainda não aconteceu. Com raras exceções.
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