pesani.gif (2651 bytes)




 


 

 

 

 

 

 

 



 

Para saber do que estamos falando, partamos da seguinte definição: ficção interativa escrita em hipertexto é uma forma de narrativa não linear, em que existe não apenas uma única sequência de leitura, mas algumas. O que caracteriza essa forma de literatura é a interatividade, a alternativa de escolha de um determinado caminho, em um determinado momento, entre vários caminhos disponíveis. Alguma coisa parecida com a vida - portanto nada muito novo enquanto conceito.

Se você quiser se aprofundar nos conceitos de literatura interativa em hipertexto, leia What Is Hypertext ?, um ensaio de Charles Deemer.

O hipertexto tem várias origens no tempo. O prefixo hiper significa sobre, acima, e no começo do século, os físicos usavam a expressão hiperespaço para designar o novo tipo de espaço definido pela teoria da relatividade de Einstein.

Na década de 40 um cientista visionário chamado Vannevar Bush descreveu o hipertexto - apesar de não usar a palavra - em um artigo chamado "As We May Think", a partir de um equipamento que ele concebeu e chamou de "memex", e que hoje é o PC.

Duas décadas depois, quando os cursos por instrução programada começaram a ficar populares, um universitário recém saído da universidade, chamado Ted Nelson, cunhou a expressão hipertexto. Hoje ele é considerado o guru dessa nova linguagem.

A ficção interativa pode hoje ter como mídia de distribuição o disquete, o CD-ROM ou a própria Internet. Nas duas primeiras hipóteses a narrativa pode ainda estar sob o controle do autor, que na verdade é quem determina as possibilidades de escolha do leitor, mas na rede é praticamente impossível. Um simples link pode levar o leitor a um outro livro, em um outro país, de um outro autor.

Em uma página qualquer de meu livro Tristessa (em fase de desenvolvimento de interface) você vai encontrar o personagem Alex lendo o livro Delirium. Ao clicar na palavra Delirium você deixa Tristessa e vai para o livro de Douglas Cooper.

Mas ao invés de descrições e citações, o melhor mesmo é visitar logo algumas dessas obras.

Um exemplo primário, mas bastante didático, é Stories from Downtown Anywhere, de Charles Deemer. Em Shadow Lands, por exemplo, você pode ajudar um escritor chamado Shadow Walker, a escrever o seu livro. É uma espécie de gerênciamento participativo no ambiente literário da rede. Se você quiser arriscar uma interface mais densa, um pouco com a cara do Gerald Thomas, dê uma olhada no Delirium, do Douglas Cooper. Essas narrativas baseadas em hipertexto estão esparramadas pela rede, como sementes de uma nova literatura, que merecem no mínimo uma reflexão em nosso país, da mesma forma que estão sendo discutidas no exterior.

Para leitores e autores conservadores, que hoje estão satisfeitos com os livros da forma em que eles existem, são poucas as chances de que tudo isso mude em um futuro próximo. Imaginar que a narrativa tradicional possa ser abandonada e que o papel possa ser dispensado, para eles é, no mínimo, uma ingenuidade.

Para os visionários, que viajam em direção oposta, é o hipertexto que vai definir a literatura no começo do milênio. É essa nova linguagem, com essa sintaxe louca e planetária, que vai poder efetivamente satisfazer o homem na sua volúpia de exploração e descoberta. Para eles não existe nenhuma dúvida de que o hipertexto em rede global é que vai definir a nova linguagem na era da informação.

A melhor porta de entrada na Web sobre o assunto é a pagina Hypertext Fiction on the WWW. Siga os links e você vai saber tudo sobre o que já se produziu até hoje e o que as pessoas pensam sobre o futuro do hipertexto.

Um outro caminho mais colorido, mas que leva aos mesmos lugares, é a página Hypertext and Literary Things, da canadense Kia Marie Mennie.

Para se escrever em hipertexto na Internet é preciso saber escrever, na forma tradicional em que conhecemos, e conhecer programação em HTML, que é tão fácil quanto se movimentar através de ícones dentro do Windows.

Com uma idéia na cabeça, HTML em seu micro e um endereço no cyberespaço, você talvez não vá reinventar o cinema novo, mas pode interferir na literatura do século vinte-e-um, em grande estilo.

The Passenger,
25 de Agosto de 1995


 

hpage50.gif (2579 bytes)


Outros Artigos

Arte Digital: O Fim da Arte (15/12/96)

Cem Anos de Artaud (22/12/95)

Cem Anos de Cinema (31/10/95)

The Net, O Filme (31/10/95)

Beats, Hippies & Rock'n'Roll (25/08/95)

 

hpage.gif (6864 bytes)

 

Arte | Comportamento | Negócios | Ciência & Tecnologia | Poesia & Prosa |
Passage 2000 | Surf Sites | Busca | Entrevistas | Bits About


Copyright © 1995-1997 by Grupo Quattro Digital Media
Editor: The Passenger
Design: By Grupo Quattro Digital Media
Comentários, colaborações, críticas, sugestões de links, devem
ser enviados ao e-mail passenger@quattro.com.br, subject Passage.