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Conheci o Orlando Lopes na rede. Ele tem 23 anos, é de Guarapari, faz mestrado em literatura brasileira na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e é o autor de um livro de poemas chamado hardcore Blues - Apocalyptic Songs, publicado em 1993.

Segundo ele, o hardcore "trata, basicamente, da afetividade, com a visão que está impregnada em quem está vivendo este fim de século. Tem um pouco de romantismo, ou de pós-romantismo. Tudo em fragmento, reduzido ao tempo do momento, da instantaneidade..."

Na orelha do livro Reinaldo Santos Neves diz que a poesia do Orlando é "gestada nos desvãos de uma civilização técnico-apocalíptica em que o coração do homem balança entre dois grandes valores - a navalha e o cartão de crédito". E conclue dizendo que "o resto fica por conta dos computadores, que escreverão o último capítulo".

Combinamos colocar alguns poemas na rede, para saber se agrada aos interneteiros.

Aí estão.


As unhas meladas recortam o céu
Beleza insurgente:
Na pele
Reflexo (incondicionado) dourado

Teu corpo dançando
É político
(Os outros: olhos (esguelhados) que
Se entrincheiram nos cantos esquerdos)

Representas
Mas o ódio se guarda
Pra dias de festa (quando o mar
Tem prazer em esconder corpos
E abortar amores):

E já quase não finges
As patas
De mulher caminhão ferino

Pregas as unhas em qualquer coração
E beijas rostos

(Por isso
O lamento azul
A instrumental
Borracha azeda)


1
Agressivamente
O ombro abstém-se da solidariedade

Crítica: abordagem excêntrica
Rescendente a anaïs-anaïs
E uma série de sinais extravagantes
Não são o bastante pra imitar-lhe
Os dotes

Um garbo doce instila felicidade-letal
À retrógrada interiorana


2
A tapas vai o escravo
Irmão grotesco e mansinho:
Bebida em doses eqüinas
(Fractais delirium-tremens
Resumem a noite: show de luzes
Estroboscópicas sapecam a cabeça
Escondida na peruquinha)


1
Off-set da redenção: coitos afoitos em
Roxas madrugadas de viração (a vaidade
Trespassada por um fio lunar
Resolve poupar-te nomes - exatidão -:

Farrapos exarcebados na multidão insone
Sorvem-te infames o esfuziante hímen
Tórrido
De recém-autóctone


2
Põe-se a amar: levanta-lhe a saia
(Descrentes vertigens
Da polissemia alcoólica
Infestam affairs perdidos
Que clamam por desmemoriados
Soul-men do ardil inimigo
Desmantelada
Em socorro atroz que remói androceu

(Socó desarmado que morre na sombra pastosa
Da noite indigente)


O batom de alice
Paira nas mãos do coelho
Que depois de longa vigília
Inicia a cerimônia de feminilização

Na penumbra
O coelho depilado
(Os pêlos brancos
Amontoados no chão
& bigodes esvoaçantes)
Retoca a boca hemorrágica

Hoje Roger Rabbit
Não escapa


A
Mão
Errando
Entra mais uma vez no vestido
Reino pacífico que
Se pode dominar
Qualquer domingo desses

Sexozinho faz mal
(Sempre um pé atrás:
Esgana os beiços - descorados
& rachados -
Esperando seu bem)

O aperto nas pernas
Não permite a ninguém
Imaginar
As ereções tardias
(Apenas os olhos
Escancarados
Deixam entrever
Alguma coisa
Do lobo mau)


Verdade
Ficou apenas no
Olhar tua perna
(A unha encravada - muito(s) pouco(s)
Sabem dela)
Lá perto das flores
- No cantinho (pra não incomodar)
Nunca que ia impedir tua andada -

O peitinho verde
Ainda não tem (só vontade de esconder)
: Por enquanto basta deitar-lhe olho

Repousa
Que teu anjo (da guarda) caboclo
Vai continuar a vigília


O INSTINTO ESTÉTICO DOS SAMURAIS

"Estão vivas, essas coisas."
Miguel Marvilla


Movimentos biônicos
e sofisticados
Não impedem
Que a atenção se desvie
Para outro extremo da galáxia:

Uma fabulosa trilha sonora
Ronrona
Como se a true story
Pudesse tornar-se viável (o clima de tragédia
Não ajuda: fracassos anteriores e traumáticos
Estão em primeiro plano)


A reentrada angustiada
De uma lua meio vazia
Interrompe os versos táteis
Das pernas e mãos
(De madrugada
Pode-se cair de quatro
Na avenida:
Blefes de um amor obeso)

Vômito onomatopaico
Introduz
Aplausos pneumáticos
(Merda de pombo pousando:
Debandam por ali
Nos prédios)

A chuva passa perto
Aumentando a cobertura
De prédios e pombos


Você pensa que me engana
Mas o super-homem
Não conhece amor
(Super-homem
Não tem que ser gentil)

O estardalhaço da dama
Agora e sempre desmoraliza

Ignora então o cowboy
Descolorido
Meio herói em algum sentido
A mão no bolso (na mão)
No que difere do supermoço
Superfruto proibido?)

Caem todos os louros
Sobre o heróico homem eletrônico
Herói bói biônico
Super
Mnemônico


"Entre o relógio, a máquina e o silêncio
havia uma orelha à escuta, grande,
cor-de-rosa e morta."

Clarice Lispector


O sol
Se atracou com o rosto
E deixou na pele
Entretons profundos
De morenice (nota-se
O vinco das veias entumescidas: formam-se
Talvez devido à resistência frígida das
Mulheres comprometidas)
E rachaduras vampíricas ad infinitum:
Abriga no baixo ventre o gosto plácido
Dos vários óvulos (que pululam
Querendo perpetuar a espécie)

Definha
Sob raios ultra-violeta (a marca
Do biquíni
Ainda se mostra (percorre
Os glúteos estriados - mapas tenros e promíscuos
- Com dedos compreensivos e simultâneos: o ritmo
Se quebra com a respiração: volúpia plana
E infantil: célebre fleuma
Que ataca metade das atuais moçoilas
Casadoiras)
Embora não se saiba de
Sua existência)

Há meia hora
Que rebola
E dança (tem estertores
E sua furiosamente:
Mas nega ao mundo
O direito de assistir à sua morte
Ao vivo
Em cores &
Via satélite)


AFIRMAMENTO

Estampadas nos meus olhos
Estrelas arrependidas
Esperam que eu vá salvá-las
Coisa de mulheres


A cara escura (alongada por carinhos inquietos:
Brutos e indecisos):
No mínimo
Suave:
A boca (suave)
Preta (safada)

A lua é
Devorada
Por sátiros
(Morcegos do trash-rock)

Slurp slérp
Chlép smack

- Ângulos escusos
Da boca arisca

E seu amor
Salpicado
No cimento
Do lugar errado


A tristeza
Sentiu-se no primeiro dia:
Jogava no espelho o rosto
Pra sentir um pouco menos
Pelo out-door janélico
Os blade-runners
Esquivando-se no cais:
(À noite
Quando o céu cai na cidade: os
Velhos lembram o primeiro beijo
Sem alterar as batidas dos gordurosos
Corações

Inútil se mexer
Apenas levanta um pouquinho o glúteo
Direito
Fsss...

Saudades de isadora venturini)
Os cabelos encaracolados sussurrando
Como se outra vez fosse primeiro de
Abril

As bocas abertas engolem vinho
Garrafas equivocadas sangram:
Prazer de enrubescer gengivas
& dentes


Indiferente
E prostética
Puxou a pálpebra o mais que pôde
Embora tentasse evitar deformações na
Maquiagem

Vai
Senta-se
Do outro lado
E põe em prática o adestramento
Ocular:
Tentando ser vulcânica e simétrica
(Caras e bocas
Medindo os ombros para que fiquem
Nivelados)

No fim da noite
Desvencilhadas dos
Outros e das roupas
Amarfanhadas e presas


"E eles riem, riem, riem, riem.
Sincronizadamente."

Bernadette Lyra


Ela
Mantém
Os eternos nervos à
Flor da pele:
Recusam-se a anular-se
Pelo amante não-realizado -
Seu não-amor ambivalente
O odeia -
Despe pouco e pouco
As máscaras cotidianas
(Alegorias fantásticas
E infantis
Dos sonhos mais persistentes:
Lírica
Não permitiria que muitas lágrimas
Se aprisionassem
De uma única vez nos olhos)

Ele
Macabético:
Não acredita que vá se apaixonar
Algum dia:
Diz ter seus motivos para acreditar nisso
(Enquanto tenta desistir
Do véu e grinalda e filhos
E da obrigação monogâmica
De assistir novelas)


"Existe apenas um tema: as poluções
de um prisioneiro em sua cela; apenas
um herói: o masturbador."

Sartre


Lixívia: afaga
Vez ou outra
O monte-de-vênus
Módico e rampeiro

Meninas luminam: rodopiam
Invertem e escarnecem as têmporas
(Cones falhos e rosados
Tornadas ardentes chagas da
Moral lúbrica)

Mas horrores fazem parte (espectralmente)
Do correr do dia:
De cócoras no solo
Especula alternativamente sobre as pernas
Que se desviam óbvias
(Ritmos oriundos da invasão interplanetária
De 32)

Se arma e esbarra em conjunto
E em revés
Nas mulheres perfiladas

O que vê
Mas não sabe
Pela insípida visão
Corrói seus olhos
Suas mãos
Que tanto querem seu fim

Tentando (em breguíssima versão)
Torná-lo imoral
Irreal

E olhares sensuais se espraiam
Sobre sua culpa
Desmascarando-lhe (monstro impulsivo
Irresistível
Que quer somar-se
A delitos maiores que sabe ter em si)


I
Quando a madrugada acaba
O sol vexado
O acha sozinho
Morrendo de amor (Vaca safada
Pode matar
Que a alma se lava depois Aparentemente: alívio perdido
(Isolamentos reticentes nas janelas
Do edifício
(Anoitecer não ajuda a namorar:
Os pensamentos sempre chegam:
A morte
É um membro da família
(A madrugada é só mais uma mulher:
A incompetência é uma deusa
Tão bonita
Quanto os projetos do inseto
Na ferida)


II
Nada mais impede que a palavra triste
Caia da boca
(: "papai-mamãe" - diz a bicha louca
Batom de sonho perdido por aí
Nas bocas : Destino da linda beleza:
Cair
No
Desejo
Até
Dar dó:

A boca se põe pra
Fora
Pra sentir
A hipotermia
Do coração)


Persiste a intenção
De ser mulher-teoria
Nas crônicas do amor sem-graça

Caminhando na rua
Lembra todas as ejaculações
(Tesãozinho)

Difícil é rir
Do nojo que tem de sangue
Menstruado

As fantasias
Repudiadas
Todas elas escondidas


"(are you my type? are you my type?)
minimalism (minimalism) abstract
(abstract)"

Vernon Reid


Mostram-se as armas:
Ela semi-serra o olhar licantrópico
(Sim
A ardorosa adolescência
Convalescente
Se empenha em catalogar o máximo
De espécies Do sexo oposto)
E tenta impressionar com o super
Modelito: cruza as pernas em cento
E cinqüenta graus (graciosas pernocas
De saracura loura - maniqueísta)

Ele
Inocente
Solta um único trinado
Que a deixa em polvorosa
Dando
Em seguida
O eterno olhar
De aproveitador


O olhar sem respostas
Não consegue entender:
(Por ódio
Instintivo)

Paranóias:
O sonho (dear and sexy) se proibiu:
Branco
Inchado
Com manchas vermelhas quase
Ressecadas
Prontas pra fodelança

Mais longe
Sem agrado
Ou amor
O anti-adolescente reprimido
Deixa o coração parado (mudo)
E borrado de batom:
Entrega o corpo todo
& a alma
(: se aproxima
Aturdido (cai-lhe a majestade abrupta
Indefinida) - :
Rei exáspero
De lábios vastos
Aspira a esmo (à média isométrica
Baseada na capacidade universal da teoria)


Foi se lavar pra pegar um boy
(Se livrar da barba - a maldita)
Bichinha repudiada
Ensangüentada nas maçãs do rosto

Fácil livrar-se do disfarce de macho
(Suor mau-hálito capa de pêlos e mais)
Os peitinhos duramente cultivados
Não se mostram (imaginação)
Na garganta o
Gosto de calcinha pronto pra ficar
Na boca de alguém
Quando vai esconder saco & peruzinho
Um gemido asmático
Que a lacrimal peruca loura
Não consegue abafar


THE SEXY MALTESE FALCON

"Com grande esforço, Calvin, o inseto
humano, avança o papel na máquina
de escrever."

Bill Watterson


Tudo havia
Mudado
Não se tocavam mais
Por não acharem necessário (conheciam-se
Em cada dedo ou/e mão ou/e grunhido e/ou etc. (
Sempre nas pontas das línguas - até mesmo
O farfalhar das roupas soturnas)):
Apenas sobre alguns gemidos mais persistentes
Admitiam pairar alguma dúvida
A respeito de significados (reciprocamente)
(O que não impedia
Olhares cúmplices & decadentes - comuns
Nesse tipo de situação - de amantes velhacos
& eternos)

Apenas quando tiveram de levar em consideração
A inconsistência de seu relacionamento
(Mais uma das famosas reflexões ao espelho (
Desses que mostram o corpo todo) : constatação
Da obviedade anatômica: o minúsculo pênis
Suicida
Se atirando (contorcido)
Às suas mãos (com o único intuito selvagem
De perpetuar a espécie)):

Ele sendo traído: o monstro
Sexual
Devorado pela hemorragia
Feminina


METALINGUAGEM N° 1


(Ou Flying Robocop Blues)

A palavra então
Insistiu em fazer-se anjo
Agoraagoraagora

Emancipadas as sombras
Mais mulatas
As pernas fechadas se absolveram
(Pronunciadas
Às gentes
Que assustadas
E
Desesperançadas
Feriram-se com os ecos
Das asas fonéticas)

O morfema
Das penas
Das asas da palavra anjo
Atacou uma pomba
Com um fremido sinátrico
(A visão da palavra
Não é captada por nossos sensores - o que não
Permite estabelecer comparações
Estéticas
Sobre a pomba)


FAITHFULL LOVELY

G(ô)sto de deitar
Em cima dos lábios

Longe dali (entre as pernas)
Desafia-se a cantoria
Com gemidos desgarridos

A língua tenta contar as rugas
Quando passeia pelo rosto
Do bicho dócil e vergonhoso
(Acamado por não caber no mundo)

A penugem irremediavelmente móvel
Não percebe a lágrima
Esborrachar-se no chão
(O vento corre por entre os dedos
De forma desconfiada e oscilante)

(As sílabas de "eu-te-amo"
Soam vulgares como os olhos se mostram
vulgares
E a boca e a língua e os dedos etc.
Se permitem vulgares)

Barulho de corpo caindo seguido por corpo
Caindo

Suspiros
Pelas sombras vão parar
Debaixo da cama

Na distração os olhos se rebatem
E continuam a viver com isso

No beijo
O que sentiu
Foi jekyll
Atacando como se estivesse
Enfiando o braço
Garganta a dentro

Deixou os braços penderem
Rentes ao ombro
O umbigo estático atacado
(Devorado)
Por um pênis errante (impedido
De ser violento pela flacidez)

Chorando
Embaixo da cama
Ele pensa
Em cortar a cabeça


Mosquitos redundantes
Sobrevoam a teta melada

Calado não pensa em nada
(Mas sente necessidade
Do lençol na cara)

Nove centímetros os separam
Quando o cérebro covarde diz ter coração
(Pausa)

Agora
Ossos expostos (e quebrados)
Deformam-lhe o corpo

À noite
Seus pés gelados
(Coisa de fantasma maroto
Sem ter o que fazer)


Quando o incomodado
Jocoso
Condenou seus dedos
Para aplacar a ira platônica
Descobriu-se equilátero (discurso
Moralista do corpo branco
- Balzaqueano -
No espelho)

Retinindo o cuspe na fuga
Do mara(t)smo
O lobisomem toma coragem e
Ajeita os pêlos a melhor ordem
Para uma melhor visão
Do mundo


DRAMALHÃO (Em Ritmo de Rumba)

"Ah, disse ela. Uh, disse eu."
Sebastião Lyrio


Desconectadas
As pernas
Perdem o sentido
(Os lábios escorrem
Como um sinal: monumental sorriso amarelado
(Feedback angustiado e impaciente
Que se espaça
Entre mais e maiores interrupções)
E evasivo)

Recolhem-se em beijos
(Apertam-se e marcam-se: cândidas burrices
Enérgicas
De um
Loving generalizado e aleatório)
Único recurso estilístico
Dos ingênuos e inocentes amantes (na vida real )

Adoça-se
Uma pele em outra (sensualidade
Frouxa: artérias compassadas
No ir e vir do gorduroso cérebro cardíaco:
A luminosidade de um seio que
Roçado
Se intimida
E repele
Boca e dedos)


Estava nas mãos
De uma mulher de mãos divinas
(Como se se deixasse
Nas mãos de um deus:
Que não toca blues: que não sabe o que quer:
Que bebe&chora&ri)

Por fraqueza
Continua nas mãos de deus-mulher
(Que quando cai chuva fina
Não protege:

(Ah!) puta desbocada: antes de
Devorar
Arrota indecisa
Como quem vai se arrepender:
Mesmo que se esprema
O coração nunca vai secretar nada:

A solução
É teu corpo
(Estranho baluarte
Das estéticas concretas)
Multicolorido que flutua em sorrisos)


ORIFÍCIO

Sua vida assinala trajetórias
De mulher sem meta - enfática
Distinta
& errante

Rende-se
Ciente das reentrâncias
De que dispõe (bolha
Humana de vidro)
Falando em mimada voz divina

Romântica
Contesta o coração fechado
Renitente cancro alentado
No umbigo narciso:
Encena
No peito aberto
O arrimo destituído de plurais
Púberes
Que emperra
Com jeito incerto
E mimos puídos em espirais
Fúnebres

Lamenta (perséfone nefasta
Retroativa ao mês de março)
Intermitentemente seus vários
Delírios
Acatando o mar lancinante
Dos romances possessos -
Heréticos frutos de intrigas
Que riem à toa
Enfunando nas faces
Sorrisos (perpétuos ritos de
Morte)


AMERICÂNDIDA


I
Ética bravia
Módica latina-mor:
"_Si, sul-feérica

Da Silva, meu amor."


II
Tons ferrenhos do
Museu de arestas metódicas
(A nudez tomada

Aos que não postumam

Ou tem vários olhos
Devorados pelo mar
Mais entremeante

Do deserto só)


I
Quantos ecos duros
Andam totemicamente
Por todos os mundos

Da ficção mundana?


LOVE IT UP IN LATEX

(Unbeatable danish rubberwear promises
unimaginable pleasures)

Belo
Bellum

Feminóide:
À noite
Todos os gatos
São plástico
(Nas entrelinhas
Vemos vênus
Dando o ânus)

Sândalo úmido (espasmo)
Deus (ex-fala)
Não querer mais comer palavras mortas

A fagulha do beijo
Já não cabe nas calças:
Sendo comum e simples
Simplesmente
A coxa existe
(Assim
Ninguém se espanta
Quando ela
Díspar
Se despe)




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