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Nos primeiros anos de Web a balança parecia começar a pender, pela primeira vez, para o lado do consumidor. Os novos compradores, amadores e profissionais, começaram a se armar com micro, modem, software competente e tudo indicava que a propaganda se transformava em uma estrada de duas mãos.

O processo de migração da sociedade de massa para a sociedade do indivíduo foi acelerada e ameaçou complicar um pouco a vida dos marketeiros. Como encontrar agora o novo sujeito - o indivíduo - no meio de uma grande massa anônima, sem rosto, apressada ?

Mas a resposta veio muito mais rápido do que se esperava: processando os resíduos eletrônicos que eles deixavam quando viajavam pela rede. Nada que software e gente de competência mediana não resolvessem. Os novos consumidores seriam permanentemente seguidos por olhos digitais de máquinas que depois os conduziriam inteligentemente em suas compras. Muito simples.

Esses olhos digitais acabaram criando verdadeiros organismos vivos, mais conhecedores dos impulsos dos compradores do que os próprios compradores. Nada de smart cards ou daqueles velhos databases marketing. Compilação e tabulação instantânea, comprador captado no ato, no impulso do clique do mouse, sem sequer olhar para a vitrine. Problema resolvido ?

Quase. E apenas por algum tempo.

Hackers começaram a invadir esses organismos vivos, a misturar informações captadas pelos olhos eletrônicos e criar situações de um nível de complexidade tão alto que ficou mais difícil de vender do que antes.

A disponibilidade da informação não teve o resultado de marketing que se esperava e o excesso de conteúdo trocado acabou mais por desinformar do que informar naquele tempo de contínua e diária desconstrução.

De certa forma o trabalho dos hackers contribuiram para tornar aquele momento da história da humanidade um dos melhores para se estar vivo.

 

Roberta Ferrari
Porto Piano, uma tarde fria e cheia de névoa.
Abril de 2016
.

 


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