| Será que a inserção
de um anúncio da sua empresa na rede vai efetivamente aumentar as suas possibilidades de
negócios ?
Como tem muita gente com os bolsos cheios de dinheiro nevegando pelos sites da Web, as
empresas estão acreditando que sim. As que estão em dúvida, entram nem que seja para
marcar presença e não ficar para trás dos concorrentes.
Depois de muita discussão sobre o assunto, a propaganda acabou encontrando um formato
provisório para a Internet, e a nossa pequena tela foi definitivamente invadida pelos
novos reclames eletrônicos, que ainda procuram uma linguagem definitiva.
As alternativas de presença na rede vão desde uma simples apresentação
institucional da empresa, criação de fóruns de discussão, catálogos de produtos,
lista de revendedores, preços, até fechamento de negócios propriamente ditos.
No antigo conceito de propaganda o poder esteve sempre com o vendedor e sua agência.
Em conjunto eles controlam o que nós devemos ver e ouvir, e quando nós devemos ver e
ouvir o que eles querem nos contar.
Com a Internet, pela primeira vez a balança de poder pode pender para o lado do
consumidor. Armados com micro, modem e software, esses novos consumidores logo estarão
aptos a procurar pelo produto de melhor qualidade, da maneira mais rápida e pelo menor
preço.
Os consumidores da Internet, para azar dos anunciantes, já nasceram com o poder de se
submeter apenas aos anúncios que lhe interessarem, na hora em que bem entenderem, e
apenas isso em si já sinaliza o surgimento de uma nova propaganda, trafegando agora em
uma estrada de duas mãos.
Não seria muito delírio nosso se imaginássemos em um futuro próximo os consumidores
fazendo o anúncio: "Compro uma bicicleta TREK, modelo 9000, cor preta, com
suspensão e velocímetro CATEYE. Ofertas serão aceitas até amanhã, às 18:00
horas". Quem não responder perde a possibilidade de venda.
Compradores e vendedores estarão anunciando suas necessidades, produtos e serviços.
Haja software para administrar as aspirações e desejos nessa estrada de duas vias.
Quando chegar esse momento certamente os publicitários do planeta já terão aprendido
que o computador não tem um elemento passivo na frente da tela, como na televisão, mas
extremamente ativo e esperto. E os fornecedores de produtos e serviços também já terão
percebido que na venda online o importante é a facilidade de acesso à informação, e
não a embalagem do produto.
The Passenger,
15 de dezembro de 1996 |