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Se você conta aos conectados na teia que está acontecendo uma revolução sem precedentes e irreversível na história da humanidade eles acreditam, ou até já perceberam. Se você diz o mesmo para os que não estão, eles nem sabem do que você está falando. "Internet ? Legal. É o futuro. Onde é que está vendendo ?", são algumas das perguntas que você vai ouvir. Experimente dizer aos desconectados que você tem uma revista online na Internet. Eles lhe pedirão para você enviar um exemplar. Um livro de ficção interativa ? Não se esqueça de informar onde é que eles podem comprar. Parece coisa de terceiro mundo, mas experimente contar sobre o furacão Web para as pessoas comuns que caminham pelas ruas de Nova Yorque. Ou de Londres. Ou para complicar um pouco, de uma cidade no interior da Áustria. "Onde e´ que está a Internet ?" perguntam eles. "Onde é que eu posso comprar ? Eu sou um sobrevivente de 1968 e quero participar dessa revolução. Onde é a sede ? Como eu faço para entrar ? Onde eu compro isso ? " O fato de você não ter uma resposta descomplicada para esclarecer essas pessoas, não deve desanimá-lo. Seja paciente e experimente ser objetivo com elas. Diga que a única coisa que elas precisam para participar dessa revolução é instalar um modem em seu PC (pressupondo que elas já tem um microcomputador), configurá-lo, instalar um software de TCP/IP, um browser, e pelo menos um software para envio e recebimento de e-mail´s. Ah ! Não esqueça de recomendar um bom provedor de acesso. Fácil, não. É isso que você vai contar a eles ? Você acredita mesmo que com essa informação já ganhou mais um companheiro nessa revolução ? Que alguém consegue entender o que a Internet pode fazer por ele sem usá-la ? Nos Estados Unidos, depois de 26 anos de Internet, os últimos cinco deles com um uso mais ativo, cerca de dois terços da população ainda pensa, na melhor das hipóteses, que tudo não passa de uma nova onda passageira, tipo rádio faixa-do-cidadão. E na pior delas, um mero brinquedo tecnológico, um novo modelo de fax, ou qualquer outra coisa do gênero. Um dos principais obstáculos está justamente na essência da Internet, no que ela tem de bom: ninguém é dono e ninguém vende a Internet para ninguém. Nem a Microsoft. Você precisa comprá-la fatiada, em diversos lugares diferentes. E depois de compradas todas as partes, a maior possibilidade é de que você, novo revolucionário, não consiga fazer tudo funcionar. Vai precisar de um técnico que entenda um pouco de tudo: software, hardware, telecomunicações, etc. E a revolução continua. Para quem está dentro ela está acontecendo. Para quem está fora ela simplesmente não existe e absolutamente não afeta em nada as suas vidas. Em tudo isto parece que existe um pouco de exagero, mas faz parte da complexidade das coisas que estão por vir, e principalmente do fato de não estarem sendo feitos muitos esforços para esclarecê-las. No Brasil, o meio acadêmico brasileiro já descobriu a importância de estar conectado há algum tempo, e parece não estar preocupado com a ignorância dos excluídos. Pelo contrário, é fácil perceber que muitas pessoas, principalmente acadêmicos e jornalistas que já acessavam a Internet antes do início dos serviços da Embratel, se sentem incomodadas com os novos usuários. Como aconteceu nos Estados Unidos. Realmente existe uma grande revolução em curso. Só não podemos esquecer de avisar os excluídos - os desconectados. Mas valeu o discurso de abertura da revista. A nova palavra: efêmera, volátil e poderosa. Aplausos dos amigos e reconhecimento da mídia - conectados. Parabéns, Passenger. Com certeza o Windows 95 atualizou o horário de verão em seu notebook. Não esqueça de agradecer ao Bill. Mas e o relógio-de-sol do homem do campo, quem atualizou ? A sua revolução ?
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