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Angela Bennett (Sandra Bullock) é uma competente analista de sistemas que vive no início da era digital. Ela testa jogos para eliminar bugs e rastreia virus em sistemas de segurança. Não precisa sair de casa para exercer a sua profissão, e muito menos sair de dentro dela própria para viver. Ela se basta. Meio estressada, toma uma decisão analógica: tirar férias. Na véspera da viagem recebe um misterioso disquete de seu amigo (ou chefe ?) Dale Hessman (Ray McKinnon), com um misterioso simbolo pi no canto inferior da tela. Devem se encontrar no dia seguinte, antes do embarque, para decifrar o misterioso conteúdo, mas ele morre no caminho, por erro de informação transmitida pela torre de controle ao seu avião. Ela viaja para Yucatan, no México, com o notebook e o disquete. Lá encontra um executivo bonito, rico e sofisticado, chamado Jack Devlin (Jeremy Northam), que parece ser o homem projetado para ela. Os dois se encontram na praia, cada um com seu notebook na areia e atraídos pela preferência de uma mesma bebida. Daí em diante a vida de Angela se complica. Devlin quer apenas o disquete para matá-la em seguida. Ela escapa, mas perde as chaves, o passaporte e a própria identidade. Daí até o final o filme ganha muita ação e movimento. Os primeiros quinze minutos do filme parecem estar o tempo todo dizendo ao espectador que por trás de um computador não existe vida, que a vida está mesmo é lá fora. E se você se priva do contato humano, da vida das calçadas, fica completamente vulnerável e indefeso. Os indicadores de que a vida digital será solitária são impiedosos. Angela vive em um mundo sem nenhum contato humano. Parece pertencer a uma nova raça. Ela e Dale se conhecem há meses, ou anos, apenas por telefone e via rede. Não tem tempo para encontrá-lo. Para seus vizinhos ela simplesmente não existe - ninguém a vê. A única pessoa com quem tem contato humano - a sua mãe - ironicamente não a reconhece por causa de uma doença. "The Net" é uma grande crítica sobre a nova sociedade que está sendo construída debaixo de uma tecnologia cada vez mais dominadora e fora de controle. A sociedade em que estão imersos os protagonistas do filme tem muito a ver com o manifesto A Sociedade Industrial e seu Futuro, de autoria do terrorista Unabomber. Provavelmente esta vai ser a sua fita de cabeceira. O filme coloca em questão desde o isolamento das pessoas que vivem conectadas até a invasão de privacidade e a segurança de nossos sistemas. Informações confidenciais sobre pessoas, governo, planos de vôo, arquivos médicos e criminais, tudo pode ser alterado por um bom hacker - inclusive a identidade de uma pessoa. Muitas situações são inverossímeis, como em todos os bons filmes do gênero. O download do misterioso disquete parece um video clip. Informações tão importantes são gravadas um simples disquete, sem qualquer proteção. Angela sai de férias e carrega o disquete na bolsa em que leva para a praia. Devlin é um verdadeiro Rambo cibernético, e tem à sua disposição toda a parafernália eletrônica de que precisa para rastrear e pegar Angela. Mas perde todas, inclusive na porrada, para uma mulher que se esconde da polícia e não tem sequer uma identidade para se hospedar em qualquer lugar. E como se tudo não bastasse, Angela é a digitadora mais rápida do planeta, quando sob pressão. Mas tirando esses ingredientes, que em verdade são necessários para compor um bom thriller, o filme tem o seu lado assustador: tudo aquilo pode acontecer. Hoje. A própria atriz,Sandra Bullock, que é íntima da rede e uma insaciável usuária na vida real, fala sobre o filme e não deixa dúvidas: "É inteiramente plausível e possível. Tudo o que mostramos no filme pode acontecer, se é que já não está acontecendo, na vida real". 31/10/95
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