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A dinâmica hegeliana continua em vigor: a história continua a fluir em um eterno conflito de contrários, dentro de um rítmo de tese, antítese e síntese sem fim. Enquanto a Microsof anuncia o lançamento do Windows 95, com show dos Stones e badalação planetária, um sujeito que odeia computadores e principalmente computer nerds negocia com respeitáveis representantes do stablishment pré-digital a publicação de um Manifesto intitulado A Sociedade Industrial e seu Futuro, onde informa que decidiu explodir o sistema industrial em todo o planeta. Em carta enviada ao The New York Times e ao The Washington Post, exigiu a publicação de um artigo com 67 laudas, espaço simples, 35.000 palavras, em troca de uma possível interrupção nos crimes, mas ressalvando o seu direito de continuar explodindo prédios públicos. Resumindo as 35.000 palavras, o terrorista afirma que o homem de hoje não é mais livre, e sim controlado pela sociedade e respectiva tecnologia a ela associada. A solução é destruir a tecnologia e voltar ao estado natural e primitivo de onde viemos. "O indivíduo supersocializado é mantido em um cabresto psicológico e passa a sua vida caminhando por trilhos que a sociedade inventou para ele." (parágrafo 26, tópico Supersocialização).
Ideológicamente Unabomber é um sujeito que não gosta dos produtos da Microsoft, de como os cientistas do MIT pensam e explodiria cada nó desta rede se tivesse essa possibilidade. Mas a sua referência à Internet é carregada até de alguma simpatia, o que não deixa de ser um trecho curioso e intrigante em seu Manifesto, e quem sabe talvez até alguma pista. No parágrafo 96, quando fala da Natureza da Liberdade, se refere à Internet: "A maioria dos meios de comunicação de massa está sob o controle de grandes organizações que estão integradas no sistema. Qualquer um com um pouco de dinheiro pode imprimir alguma coisa ou distribuir através da Internet, ou de alguma outra forma, mas as suas palavras seriam esmagadas pelo imenso volume de material divulgado pela mídia, e consequentemente não teria nenhum efeito prático." Esse texto deixa claro que ele não só tem conhecimento da rede como navega por ela e parece estar envolvido por esta tecnologia que tanto odeia. A Wired deve ser a sua revista de cabeceira. Se quisesse poderia até haver colocado, ele próprio, o seu Manifesto online, mas não escolheu a Net porque achou que esse não era o seu palco. "Impactar a sociedade com palavras é quase impossível para a maioria das pessoas e pequenos grupos. Veja o nosso caso, por exemplo. Se nós nunca tivéssemos feito nada violento e tivéssemos submetido este texto a um editor, ele provavelmente não teria sido aceito.... Para que pudéssemos colocar a nossa mensagem ao público, com alguma chance de permanência, nós tivemos que matar pessoas." Ele fala sempre no plural, embora o FBI divulgue que se trata de um indivíduo.
Em mensagem aos usuários da Internet (iniciada coloquialmente com "Dear Netters") o FBI, através de sua UNABOM Task Force, solicitou ajuda aos navegantes na identificação do terrorista alegando um duplo motivo: primeiro porque a Internet é uma mídia que atinge a maior audiência possível, e segundo porque os interneteiros tem exatamente o perfil das pessoas que já receberam as cartas-bomba do terrorista, ou seja, estudantes e pesquisadores que podem estar na mira como sua próxima vítima. Em Press Release colocado na rede, O FBI está oferecendo $ 1.000.000, por qualquer pista que leve à identificação e localização do assassino. Segundo o FBI, o terrorista começou a matar pessoas em maio de 1978 e nesse período 23 pessoas foram feridas e 3 acabaram mortas. De acordo com as descrições e esboço do suspeito feito pelo FBI, ele é do sexo masculino, cor branca, entre 30 e 40 anos, cerca de 1,70 m, pesa 73 quilos, e deve ter feito o ginásio no fim da década de 70. Analisando a retórica do criminoso, analistas da área acadêmica tem opiniões divergentes com relação à época de sua formação, pois a sua retórica nostálgica aponta para um universitário da década de 60 ou início dos 70, o que acrescenta pelo menos mais uns dez anos na expectativa da idade do terrorista.
Sites badalados como os da HotWired, Pathfinder e Penthouse disputaram palmo a palmo a divulgação online do Manifesto. A HotWired colocou seu homem de Washington, Brooks N. Meeks, para obter o Manifesto a qualquer custo e colocar online antes da mídia mpressa, mas não conseguiu. Hoje o terrorista ocupa lugar de destaque em seu site, com vasta informação sobre toda a sequência de negociações que culminou com a publicação pelo The Washington Post, inclusive o Manifesto dividido em seus 28 tópicos. O editor da Penthouse, Bob Guccione, escreveu uma carta aberta ao Unabomber na versão impressa de sua revista e na Web. Ofereceu uma coluna mensal na Penthouse impressa em troca da interrupção dos crimes, mas não obteve resposta. Quem chegou mais perto do furo foi o site Pathfinder, da Time Warner. No dia anterior à publicação do texto completo pelo The Washington Post, colocou online algumas secções do Manisfesto. Hoje, ao lado da HotWired é um dos sites mais completos sobre o Unabomber. Passenger, 25 de outubro de 1995.
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