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Para muita gente parece que existe hoje apenas dois tipos de sobrevivência no planeta: a vida online ou a vida offline. A Web passa a ser uma espécie de quarto estado da matéria. Além do sólido, líquido e gasoso, vivemos todos agora o estado Web, uma espécie de estado binário, composto de zeros e uns. E nesse novo estado da matéria muitos fazem o circuito bits & bytes sem a mais vaga idéia do que está acontecendo. Partem para longas viagens online, entregam a própria alma em madrugadas sem fim, mas acabam apenas torrando banda digital em chats sem futuro e que não levam a lugar algum. Outros, mais espertos, se alimentam online para uma melhor sobrevida offline. Frequentam a rede para melhorar a sua vida fora dela. São aqueles carinhas mais sérios, aqueles sujeitos que já sacaram que os velhos sonhos foram substituídos por contratos repletos de cláusulas e que a inteligência e a sensibilidade, nos 90, foram substituídos pelo profissionalismo quase neurótico de uma sociedade em mutação. Aqueles primeiros curtem, mas comprometem a própria sobrevivência em um mercado onde cada dia existe mais disponibilidade de lazer e menos tempo para vivê-lo. Estes enfrentam o bombardeio dos novos releases que alteram diariamente o mundo dos negócios. Releases de hardware, software, políticos, sociais, legais, institucionais, enfim, de toda a espécie. A competência neste tempo de zeros e uns está mais para o homem capaz de executar múltiplas tarefas, ao mesmo tempo, atuando sempre em um universo mais amplo, do que para o velho executivo que passou os seus últimos trinta anos obcecado em exercitar os poderes de longas concentrações através de técnicas às vezes até orientais. Somos bombardeados diariamente pelo conteúdo colorido das milhares de revistas dependuradas nas bancas, pilhas sem fim de CD-ROM´s com milhões de páginas, dezenas de canais de TV a cabo, fora os milhões de páginas da Internet, para aqueles um por cento de conectados no planeta. Não existe, sem dúvida alguma, a menor condição de absorvermos toda essa massa de informações que nos pressiona para ser digerida, quase como se fosse uma condição para continuarmos vivos em nosso pequeno universo analógico. Isso é bom ou mal ? Será que estamos diante de um tempo em que precisamos reaprender a viver, ou tocamos assim mesmo, meio nas coxas ? Como a natureza não muda o seu rumo e os rios não deixam seu curso, parece que a nossa sobrevivência vai estar na capacidade de filtrar, selecionar, escolher, negociar e decidir sobre as informações que chegam até nós.
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