Ex-engenheiro, ex-diretor
de teatro, ex-roteirista de cinema, Alex é hoje jornalista, cronista,
ou simplesmente um operário das letras, como gosta de dizer.
Odeia a cultura digital que
tomou conta do planeta e cederia alguns anos de sua vida em troca do grande
retorno ao mundo analógico. Acredita fazer parte de um grupo muito
especial de pessoas que conseguiram sobreviver à multimidia, à
caneta ótica, à realidade virtual, à conectividade
e a muitas outras tecnologias que sequer conseguiram se consolidar.
Thomas e ele se conhecem
desde os três anos de idade, quando foram vizinhos. As duas casas
eram geminadas e no fundo dos dois quintais havia um enorme terreno baldio,
com um grande areal branco e uma velha casa de madeira abandonada.
Ali eles passaram os melhores
dias da infância jogando bola e empinando pipa.
Naquela época Thomas
não poderia jamais imaginar o quanto aquele areal branco e aquela
velha casa de madeira ficariam em sua cabeça, como a imagem de um
tempo mágico que não volta nunca mais. Desde essa época,
mesmo depois de mudarem de casa, de tempos em tempos as suas vidas se cruzaram.
Quase dez anos depois se
encontraram no primeiro ano colegial, e passaram o fim da adolescência
juntos. Depois ele foi estudar Engenharia e Thomas Administração
de Empresas.
Quando sairam da faculdade,
cinco anos depois, Alex foi ser jornalista e Thomas fotógrafo de
moda.
Casou com Roberta e se separaram
depois de alguns anos. Por perda de tesão e por incompatibilidade
de visão do mundo.
A última frase que
ouviu dela:
"A sociedade em que você
vive está sendo descontinuada, e nós estamos no epicentro
histórico dessa revolução. As pessoas já estão
começando a sacar isso e estão reorientando as próprias
cabeças. Não olhe para tudo isso sob a mesma perspectiva
que você tem olhado para a nossa cama."