Olhos verdes como o sonho e cabelos negros como a noite mais profunda. Bonita,
fiel, carinhosa e puta - é como ela mesma gosta de se definir.
Aos dezoito se definia como uma intelectual que gostava mais de política do que
de masturbação.
Existiu em Thomas desde a adolescência, desde a noite em que se encontraram
naquele casarão da Serra da Cantareira. A partir daquela noite, de tempos em
tempos os caminhos se cruzaram.
Terminado o amor adolescente, voltaram a se encontrar dentro de um ônibus, que
levou a um fantástico ensaio fotográfico exposto em Veneza.
O fantástico determinismo do desencontro os levou mais tarde a uma inútil noite na
casa de Robert, um nostálgico jornalista existencialista, mas foi um nascer de sol
que definitivamente os separou no tempo.
Depois ela sumiu por mais de dez anos. Trabalhou como modelo, fotógrafa e
durante anos dirigiu um projeto de banco de imagens online para um museu digital
de Frankfurt.
Quando as principais capitais do mundo se transformaram em grandes cenários de
teatro e as pessoas deixaram de viver segundo as leis do instinto e do prazer, ela
se refugiou em Paris.
Agora vive enclausurada em um nostálgico estúdio fotográfico digital, editando o
passado e veio ao Brasil apenas para a grande noite de Thomas.