Teto baixo, cabeça alta, astral mais alto ainda pelo sucesso
do espetáculo, Thomas entra no Great Balls acompanhado de Fernanda.
O Balls não é apenas um Cyber Café, mas faz parte
de todo um modo de vida, de um comportamento que tem por trás a
cabeça da Roberta.
Thomas aponta a teleobjetiva no meio da fumaça, e o primeiro
que consegue focar é Lou, chapadão.
"Você já estava no mundo quando tudo começou?",
pergunta provocando.
"A ferrugem nunca dorme sobre a superfície dos objetos amados",
ele responde sabiamente."
"E a morte, Lou ? O que é a morte para você ?"
Meio fora de foco, ele responde:
"Já aconteceu de você estar dançando, Thomas,
e a música parar ?"
"Eu já", respondeu Fernanda.
"Então é isso, você já experimentou
a morte. A morte é como dançar sem música."
Papo louco. Seguem em frente, à procura de Roberta.
As mãos de uma mulher surgem da fumaça e tapam os olhos
de Thomas, por trás, mas ele nem se esforça para saber quem
é. Gira a cabeça, displicentemente, e reconhece Adriana,
uma antiga namorada do Lou, rindo diabolicamente, como uma personagem felliniana.
Ela pergunta a Thomas como vai o livro, e ele responde que bem.
"Você ainda tem problemas com o horizonte ?"
"Só quando estou na horizontal", responde.
Vê que o papo também vai rodar louquíssimo, e se
esquiva delicadamente. Morde a nuca de Adriana, com carinho, e se despede
ao som de Until
The End of the World.
Não encontram Roberta, que ainda não havia voltado, e
Fernanda deixa Thomas para uma visita à
Natasha, em seu SmartDrugs Internet Café.
"Me encontra lá antes das seis. Às sete voamos."
"Está bem", responde, e sai à procura de Alex
no meio da fumaça do ambiente.