Meus amigos me chamam Alex. Sou formado em Engenharia Eletrônica (profissão nunca exercida), mas me viro como jornalista.

Da universidade sai direto para o teatro. Comecei como autor e diretor de uma peça chamada "Não Entre, as Portas Ainda Não Estão Abertas", que foi encenada apenas uma vez. A montagem causou um pouco de pânico e três espectadores passaram muito mal.

A peça foi imediatamente proibida, por motivos de segurança. Quem viu, viu, quem não viu vai ter que se contentar com o Gerald Thomas.

Por preguiça e falta de opção resolvi abraçar o jornalismo. Tenho plena convicção da minha quase mediocridade como jornalista, mas interferir na cultura contemporânea nunca foi prioridade em minha vida. Ou melhor, um dia foi, mas renunciei.

A falta de talento para gênio não me faz sentir medíocre como ser humano - muito pelo contrário - me faz feliz. E eu sempre tento convencer os outros disso.

Hoje pesquiso a vida e obra de Artaud para um ensaio que me propus colocar na rede. Acho que ele já esteve por aqui antes. Estou trabalhando também em um projeto sobre o litoral norte de São Paulo, para uma revista local.

Minha ex-mulher me largou por eu não conseguir sacar, segundo ela, que estamos vivendo no epicentro da revolução digital. E assim os bits afetaram a nossa cama, o contato de nossos corpos e muito mais. Coisa de louco.

Praticamente ela disse que eu sou um ser humano em processo de descontinuação. Disse isso como se eu fosse um modelo de automóvel, de microcomputador ou de uma máquina de costura.

Tudo para ela gira em torno da revolução digital. É como se desta vez os computadores fossem nos aliviar, definitivamente, da tediosa tarefa de sermos humanos.

Meu amigo Thomas resolveu me tombar como personagem de um livro que ele chamou de Tristessa. A mim, Marcela, Fernanda e outros amigos nossos. Não entendi muito bem como entrei nisso, já que não sou muito chegado nessa hsteria digital que assola o planeta e às vezes contemplo tudo isto quase com desprezo.

Ele me chama de neoludita e diz que eu odeio a cultura digital, mas há um pouco de exagero em suas palavras e ele sabe disso. Tanto sabe que me arranjou um e-mail, esta personal page e a Revista Passage para eu manifestar minhas opiniões.

Quando voltar do litoral penso melhor nisso tudo.

Meu e-mail para contato é: alex@quattro.com.br.