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No começo tudo o que existia era um artigo que chamei de "A Nova Palavra: Efêmera, Volátil e Poderosa" e uma revista que iria se chamar PASSAGE. Naqueles dias bits sem raça, religião ou nacionalidade já começavam a trafegar pelos nós (nodes) da rede e já se sentia no ar o deflagrar de uma revolução sem precedentes na história da humanidade.Havia uma grande certeza de que os historiadores do próximo século iriam contemplar os anos de 95, 96 e 97 como o momento crítico - os anos em que as transformações efetivamente aconteceram - de uma revolução que teve início no começo da decada de 80 e que terminaria - quem poderia ter certeza naqueles dias - lá pelo fim da segunda década do terceiro milênio.
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O Passenger é a grande metáfora do intelectual perplexo diante de uma sociedade em processo permanente de descontinuação, é um sujeito que não quer apenas contemplar as transformações, ele quer participar, interferir. Por isso criou uma revista online chamada Passage e um livro de ficção interativa chamado Tristessa, que gira ao redor da vida, experimentação e amores de alguns amigos com o qual ele convive em seus delírios.Ele sabe que uma nova sociedade está sendo formada e que se as pessoas se mantiverem alheias a tudo isso, o futuro não terá a cara delas, aumentará mais ainda a distância entre elas e e seus filhos, e assim por diante.
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Aquele verão em Maresias, na pousada de Paula, foi na verdade o início disto tudo. Depois de uma semana me mostrando textos e contando histórias, aquele sujeito chamado Thomas G. Marasco me entregou um CD-ROM."Toma os textos, Passenger, transforma em uma novela interativa e põe na Web".
Em seguida viajou para Paris com a Fernanda e nunca mais encontrei o cara.
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Quando semanas depois abri o CD-ROM vi que se tratava de uma história dele mesmo, de seus amores e de seus amigos mais próximos, os quais eu havia acabado de conhecer naquele verão em Maresias. Alex, Roberta, Marcela, estavam todos lá, menos Joana.Havia uma grande mistura de passado e futuro, de ficção e realidade, hipertexto e interatividade, e eu achei que tudo aquilo reforçado pela poderosa conectividade planetária da Web poderiam dar uma boa história.
A organização do tempo acabou ficando um pouco complicada. O narrador da história - o Passenger - está em 2004, contando fatos passados ocorridos em dezembro de 1999. Só que os personagens, quando trocam e-mails, estão no passado de 1996, vivendo o presente. É um livro para ser concluído no ano de 2004.
Conforme dito no prefácio, Tristessa não é uma história somente para raros e loucos, mas certamente um pouco de cada um desses atributos vão ajudar na leitura.
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Penso que todo esse delírio se tornou viável porque a Internet acabou virando uma espécie de "sistema operacional" planetário. De repente as pessoas passaram a interagir com o mundo a um custo de R$ 25,00 mensais, independentemente de plataformas, processadores e parte do mundo em que se encontravam.
Não há como negar que sociologicamente isso é o início de uma grande revolução, apesar de que menos de 2% do planeta está hoje conectada.
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Os números que marcam as décadas são sedutores, os que marcam os séculos são misteriosos e os que marcam os milênios são mágicos.Por isso inventamos a metáfora da pedra binária deste novo tempo, para que todos os leitores da Passage possam deixar lá riscada a sua mensagem.
Essa mensagem deve conter as expectativas, visões, idéias, previsões, enfim, qualquer coisa que os leitores gostariam de ver estampado nos jornais, nas esquinas do planeta, na passagem do ano de 1999 para o ano de 2000.
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Ainda está muito difícil prever como o homem vai se comportar nesse novo "environment" digital. No mínimo vai ter que se descartar de tudo que este século lhe ensinou, e isso já está sendo muito complicado.Esse novo homem digital por enquanto ainda está perplexo, perdido, mais perdido do que esteve em qualquer ponto da história. E vai demorar a encontrar novamente o caminho de casa.
E-mail para contato: passenger@quattro.com.br.