Sou graduada em Jornalismo e Ciências Sociais e num passado não muito remoto andei obcecada por tudo que dissesse respeito à sociologia da arte.

Hoje ainda me interessa, embora com menor intensidade, qualquer debate sobre a função social da arte. Talvez pela curiosidade em saber o que o homem vai fazer quando todos os problemas sociais estiverem resolvidos.

Penso que o homem não é o macho natural da mulher, e a mulher não é a fêmea natural do homem. Li isso em algum lugar, ou vi em algum filme.

Em algum lugar da história os verdadeiros pares se perderam, e esses dois que conhecemos em nossos dias se encontraram depois de alguns milênios. Desde então esses novos companheiros, que hoje conhecemos como homem e mulher, vivem em uma simbiose anormal.

Casei cedo, mas não deu certo. Talvez por essa coisa toda que falei. Por isso tenho uma turma muito grande de amigos, e acho que uma boa mistura de namoro, amizade, cabeça, talvez seja a solução. Às vezes amigos, às vezes amantes, às vezes parceiros intelectuais, às vezes profissionais, talvez seja um caminho para reencontrar esse elo perdido.

Um dia o Thomas, um desses amigos, me apresentou a um sujeito a quem ele chamava de Passenger, e que publicava uma revista na Web chamada Passage. Estávamos na estranhíssima pousada da Paula, em Maresias.

Os dois passaram a tarde falando sobre uma história que iam colocar na Web, e que iria se chamar Tristessa. Fiquei sabendo depois que o Passenger seria uma espécie de biógrafo da turma, colocando na Internet uma história que o Thomas havia escrito sobre o nosso grupo, principalmente sobre o Alex, a Fernanda e a debilóide da Marcela.

Só que os dois extrapolaram. Eu, por exemplo, tenho apenas uma pequena editora que herdei de meu pai, e eles me transformaram em proprietária de uma das maiores redes de comunicação do planeta, uma das maiores formadoras de comportamento neste final fim do milênio.

Isso é um projeto que eu tenho, é verdade, mas por enquanto é só um projeto em processo, quase inviável de ser realizado antes da virada do século.

De resto, acho que os dois estão doidos.

Meu e-mail para contacto é roberta@quattro.com.br.